quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A igreja automotiva!


A oração do Palio nosso


Palio nosso que estás no Cielo,
Santo Ducato seja nosso Ômega,
Vectra  a nos   o Polo Prêmio,
Seja Fiesta K tua Voyage, Audi na Tempra Quantum no Cielo
O furgão  logus de Xsara kya, nos Hyundai  Oggi
Megane as nossas ofocus assim como nos Cezanne a quem tem nos Civic
Não nos deixes cair num Fuscão
Mas Ferrari é o tal
Romeo  Del Rey, o Pointer e “ô glória” para sempre
Amém!

"Conheço um homem em Cristo que há algum tempo atrás (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe)" viveu em uma igreja automotiva, e sobreviveu para contar a história. 
Mas o que é uma igreja automotiva? Bem, nessa igreja ao contrário do que a bíblia diz, valoriza-se mais o TER do que o SER. Apesar de sempre serem usadas  passagens bíblicas para dar uma "maquiada", em todos momentos a questão do TER será o foco principal de todas questões, embora seu corpo eclesiástico batam o pé dizendo estar "vivendo a vontade de Deus (Deus?!?).

O fato de eu estar nomeando essa igreja de "automotiva", e tão somente pelo fato do método usado para medir a presença de Deus na vida de alguém. Não não, se engana o nobre irmão se pensa que "nível de espiritualidade" não pode ser medido, que é algo de cunho pessoal, que cada cristão deve buscar a Deus em um culto pessoal, nessa igreja pode sim, e a maneira principal é essa: o seu carro!
Você tem carro irmão? Não tem? Parabéns! Na visão doutrinária da neo-igreja-automotiva você é um amaldiçoado, um cristão de 2ª,...aliás de 5ª classe.

Muitos medem o quanto um defunto foi amado pelos vivos, devido a quantidade de carros que seguem o ofício fúnebre até o cemitério local, outros medem a popularidade de um candidato a prefeito ou a algum outro cargo público, pela quantidade de automóveis que fazem parte de sua carreata (muitas das vezes pago$ para participar da manifestação e vindos de outra cidade), e por incrível que pareça, muitos líderes religiosos medem  o "mover de Deus" na vida dos membros através da quantidade de veículos que estão estacionados defronte "seu" templo, é triste algo assim acontecer, mas é a mais pura e cristalina verdade.

Não bastasse esse "carrômetro" medidor de unção, os irmãos com poder aquisitivo mais baixo são jogados para escanteio. Os que possuem carros são aplaudidos, mencionados em todo tempo nos púlpitos usados como referencias de virtude, pode ser até um  neófito o qual  ninguém sabe a procedência da receita com que adquiriu seu possante se justa ou injustamente, mas tendo a caranga envenenada na garagem é o sinal divino que o determina como um escolhido de Deus.

Tudo isso é resultado da falaciosa teologia da prosperidade propagada hoje em dia, crença funesta que afirma que crente de verdade nunca fica doente (se esqueceram de Eliseu (2 Reis 13.14) e de Timóteo (I Tm 5.23)), se é pobre é por causa do pecado ou por que não barganhou de maneira correta com o Senhor.

*Aperte a tecla "baianês": "Oxe num machuque o mininu não homi!"
Em uma igreja automotiva, o sermão predileto é o sacrifício do Isaque,  "Você tem que dar o melhor pra Deus", "tem que oferecer em  sacrifício aquilo que mais vai te fazer falta", "Como Abraão fez, traga seu Isaque", só que tais pregadores nunca citam que Deus interrompeu Abraão quando ia "chuchar" a peixeira no menino, e que Deus permitiu que o  sacrifício se desse apenas no coração de Abraão, mas  fisicamente não chegou a se consumar. Por que será né?

"the black people car" conforto e sofisticação!

O Senhor através de sua palavra a qual vela para a cumprir, sempre valorizou o SER uma nova criatura (Gl 6.15), a renúncia ao pecado (Gl 5 19-21), a busca de viver uma vida em  santidade (Hb 12.14). E aos "ricos" desse tempo ordenou não esquecer das viúvas e dos orfãos (Tg 1.27). Mas em sua palavra nunca colocou uma estrela na testa ou elevou a um nível espiritual superior os possuidores de ouro e prata (cheques, cartões de crédito com limite transbordante), ou seja nunca priorizou o TER, (digo "ter" em relação a bens materiais, não em TER bom senso, TER vergonha na cara, TER humildade. Esse "ter" o Eterno aprova!).


Alguém lembra do seriado "Toma lá, da cá"?
Não sou contra apoiar financeiramente uma obra. E  sou a favor de todo cristão priorizar ao Senhor em todos os sentidos (Mt 6.33) fazendo o melhor sempre pra Deus e que nada vai ser em vão no final das contas (I Co 15.58).Creio que Deus pode abençoar espiritualmente e materialmente. Mas sou contra a barganha desavergonhada com fins nada espirituais, mas sim lucrativos, sou contra a espoliação de irmãos simples utilizando uma lei de "paga e recebe" que a escritura jamais abonou!

O "sonho de consumo" das irmãs!
Engraçado observar que na lista dos mais ricos do mundo figuram sultões árabes  não é mesmo? Deveria ter adeptos da teologia da prosperidade n'ces pá? 
Diante do exposto não se admirem os irmãos se surgir a "unção do caramelo", para aqueles que desejam "tirar onda" por aí em um possante da cor amarelada quiça rosa-choque!
Na congregação a qual você irmão(ou pastor) faz parte (ou dirige), tem se ovacionado o fato do irmão ter um carro? Cuidado! Pode ser que estejam prestes a fazer a oração do início desse post: "O pálio nosso"! Uns dizem "tá amarrado!", outros batem na madeira, repito: Cuidado! No caso da segunda opção a madeira mais próxima pode estar bem perto de seu nariz, (ou ser o nariz!)!

Êita Jesus cheiroso! (II Co 2.15)

Microscopicamente falando (João 3.30),

Pr. Walter Filho

*Singela  homenagem a todos irmãos nordestinos, em especial: Gladston Pacheco, Sheila Bastos, Elenice Rabelo e Angelo Brito

Comente com o Facebook: