domingo, 26 de junho de 2016

"PASTOR, E AS CAMPANHAS?"


Sou frequentemente perguntado sobre o significado do que são as famosas "campanhas" ou "cruzadas" e qual a importância ou não delas na prática litúrgica da igreja.

Não confunda as campanhas de algumas igrejas com as campanhas do agasalho, campanha contra a fome, entre outras de cunho social. E muito menos com uma campanha publicitária. No modus operandi de várias igrejas a cantiga é bem diferente.
Se faz necessário antes de mais nada sabermos a definição desse termo, "campanha" em relação a língua portuguesa, vamos lá:

cam.pa.nha1
sf (lat campanea1 Campo extenso; campina. 2 Acampamento de tropas. Série de operações militares durante uma guerra. 4 Parte que um militar toma nessas operações. 5 Série de determinadas operações ou esforços sistemáticos para a obtenção de um resultado específico: Campanha de promoção de vendas. Campanha de combate à inflação. 6 Batalha, guerra, lida. 7 Em propaganda, conjunto de anúncios e peças promocionais com unidade temática destinados a criar uma forte receptividade do público consumidor em relação ao produto ou ao serviço anunciado.

Baseado nessa definição acima, a que mais se enquadra nas "campanhas" que algumas igrejas fazem é o "item 5": "5 Série de determinadas operações ou esforços sistemáticos para a obtenção de um resultado específico". 

Hoje em dia o termo campanha, quando associado a algum trabalho nas igrejas apresentam algumas características que são frequentemente observadas:

  • quantidade de dias, (geralmente são 7, e a justificativa na maioria das vezes é devido ao "número da perfeição", mas isso é assunto para outro post);
  • Existe o ensino que as campanhas são como correntes, e que cada dia dela é comparada com um elo da mesma, se o "campanhista" porventura quebrar um elo, deixa de receber a benção estipulada no tema da campanha;
  • na maioria das vezes tais campanhas são associadas com algum elemento extra-bíblico, por exemplo, frasco com óleo, sabonete de mirra, rosa ungida...etc, que pode ser entregada no fim da campanha, ou entregada no primeiro dia e deve ser levada aos cultos para receber unções com óleo, que geralmente são sete (A questão do número é variada, podendo ser usado algum outro número com algum tipo de simbologia ex: 12). 
  • Geralmente os objetos extra-bíblicos tem seu uso justificado através de textos bíblicos isolados, sem conexão com o contexto imediato ou remoto da escritura. Ex: "Campanha do vale do Sal", um corredor de sal é feito, e os fiéis passam por ele em cada elo da campanha para receber sua benção. O texto usado nesse caso pode ser 2 Sm 8.13 (Davi), 2 Cr 25.11 (Amazias) entre outros textos.
  • Existe uma conexão forte com a "teologia da prosperidade" que dá suas caras as vezes no segundo dia, ou no final do primeiro dia em que são entregues envelopes, com sugestão ou não de um valor de  uma oferta de sacrifício, que será coletada no último dia da campanha;
  • Visando o desfecho no último dia, as mensagens não são Cristocêntricas, não tem Cristo no centro do culto, mas é focalizado o bem estar do campanhista fiel que vencer o desafio até o fim e trouxer seu sacrifício na conclusão da tal. Os ensinamentos sobre Jesus são praticamente cortados em partes, os textos usados geralmente são aqueles que tem alguma associação com o tema, e a frase "vejam, até Jesus pensava assim", é usada frequentemente para abalizar todas as práticas dos tópicos anteriores;
  • Vale lembrar que a utilização de recursos extra-bíblicos, amuletos consagrados, etc, são para que os fiéis que porventura não tem a fé muito grande, possam ter um referencial material para ajudá-lo a crer em Deus e nas promessas que nelas estão explícitas (Porventura o romanismo da época de Lutero não fazia assim?);
  • O pragmatismo é lei. Se há testemunhos de algum tipo de atuação sobrenatural em algum momento, seja no culto, ou na vida do campanhista durante o tempo da campanha, sendo bíblico ou não o método utilizado para alcançar tal benesse, JAMAIS é questionado. A bíblia se torna apenas um objeto secundário e sujeito à interpretação pragmática, seja do ministrante do momento de culto ou da pessoa a estar testemunhando no momento;

Concluindo: A partir de todas essas características, (elenquei as principais, há uma miríade de outras), podemos concluir que o termo "campanha" e sua prática nesse contexto faz parte de uma prática neo-pentecostal, portanto, não fazendo associação com os princípios normativos bíblicos da sã doutrina. No fim das contas é mais um método de angariar membros tirando Cristo do centro, substituindo por "campanhas", que é apenas mais uma das infinitas "estratégias" de "invãogelismo" que não estão em acordo  com as santas letras da escritura.

Na Igreja Cristã Fiel (que faço parte e pastoreio), nos fazemos série de sermões com temas específicos (Ex: "As sete Igrejas da Asia" ou "Os cinco solas", etc.) , mas a quantidade de cultos abordando o assunto escolhido dependerá de quantos dias forem necessários para explorar a temática. Tal série não há conexão de modo nenhum com "correntes", ou "quem quebrar um elo não vai receber a benção". Visamos apenas a edificação, e o robustecimento da fé da igreja nas escrituras sagradas, e nada mais que isso.

Em suma: o termo "campanha" no contexto atual está deturpado, em todas suas nuances, ainda não vi alguma delas que não tenham alguns ou todos os elementos elencados acima.

Que a igreja hodierna trave uma "campanha" sim, isso é uma "batalha", mas pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Judas 1.3). Essa sim é a verdadeira campanha que todo eleito do Senhor já está alistado!

Microscopicamente (João 3.30)

pr. Walter Filho

Post 01 da série: "Acaso  me tornei vosso inimigo apenas por vos declarar a verdade?" Gálatas 4.16

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